Provavelmente, devido às experiências negativas, os seres humanos tenham adquirido o hábito de exprimir intuições vagas e até imprecisas de algumas realidades, valores, imagens, comparações e metáforas. Com isso criam símbolos, mitos, alegorias e parábolas para traduzirem determinadas situações que acabam se tornando essencialmente pessoais, arbitrárias e intransigentes.
As grandes armas utilizadas nessa imposição, por mais desprezíveis que sejam, dizem respeito aos conceitos análogos e generalizados, porém, abstratos, obscuros e indeterminados. Os seus desejos têm algo singular, retórico e o autoritarismo é marca patenteada em seus falares e modos de agir.
Diferentemente disso, ao buscar-se regatar as tradições ancestrais, almeja-se, pelo menos numa visão pessoal, a conciliação entre raízes e casas de cultos. Mas essa conciliação não significa, necessariamente, abdicar-se de conhecimentos adquiridos originalmente. As estruturas específicas (História, cultura, linguagem), cujos objetivos são exclusivos, balizam a complexa diversidade própria das religiões tradicionais afro-brasileiras.
Assim, ao recorrer a essa estrutura religiosa, fiquem em alerta constante; adotem cuidados absolutos; não dispensem a reflexão e acima de tudo tentem conhecer cotidiana e detalhadamente o futuro sacerdote, a casa, a forma e a família de culto, etc. Busquem conviver de perto com todos; analisem detida e incansavelmente a personalidade, índole, princípios éticos e morais do pretenso zelador e jamais se esqueçam de rezar para os Minkisi e Nzambi, pois somente Eles têm poderes para livra-los dos marmoteiros, charlatões, exploradores e mercantilistas. Estes, caros amigos, não medem esforços para covardemente mostrarem as suas garras e abusarem de suas fé.
O grande desafio quando o insucesso revela-se óbvio é conseguir desmascarar esses pseudos doutores “supra-conhecedores das tradições afros”, que se mostram como verdadeiros anjos. Porém, no fundo, abusam da confiança que lhes são depositadas e não passam de demônios encobertos pelas peles macias e aquecedoras das ovelhas.
Portanto, cuidado! Neste momento você pode estar sendo ludibriado por um desses interesseiros, enganadores e apropriadores da crença e do dinheiro alheio. Ladrões bonzinhos que te assaltam sem qualquer temor e para fecharem com “chave de ouro”, o ameaçam e tentam intimidá-lo com as suas supostas capacidades de destruição.
Para que o mal não se espalhe mais do que já contaminou o mundo religioso afro-brasileiro, bani-los e desmascará-los é o mínimo que se pode fazer.
(*) Espedito Azevedo é filósofo, especialista em Administração Legislativa e Gerenciamento de Projetos. Iniciado por Jiboin d’Nzambi é hoje Tata Kisaba do Terreiro Tumbalê Junçara, dirigido por Tata Talamonakô.
