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Artigos: Música Africana e suas funções Sociais

Nibojí, 28 de junho de 200815 de agosto de 2012
Tata ria Nkisi Otuajô(*)

 

Como produto e fato da cultura, a música intervém constantemente em toda a vida do povo. Ela é feita para acompanhar a vida no esforço cotidiano, na alegria e mesmo na tristeza; por isso, uma aldeia africana sem música é uma aldeia morta.

Desde os tempos remotos, o homem utiliza a música na sua função social, artística, estética, pedagógica, moral ou simbólica. Em qualquer sociedade, de tradição oral ou escrita, a música desempenha várias funções, complexas, na sua essência. Segundo suas funções sociais, e ao nível geral, as músicas angolanas de tradição oral, assim como as da maioria das sociedades africanas, podem ser distinguidas em dois modos de utilização: por um lado as músicas cerimoniais, socialmente institucionalizadas, e, por outro lado, as músicas não institucionalizadas, coletivas ou individuais.

Na cultura angolana, as músicas institucionalizadas são praticadas, entre outras, durante:

– A festa da saída de gêmeos.

– A realização de tshikUmbì (ritual, ao mesmo tempo, de puberdade para as moças e de circuncisão para os rapazes) entre os Bàwóyi, província de Kabinda.

– A cerimônia de casamento.

– A investidura de um chefe tradicional.

– A festa de Kianda.

– A saída de máscaras Zìndúngà em Cabinda ou na Lunda Tshokwe.

– A visita de uma ilustre personagem.

– A cura de certas doenças (a musico terapia tradicional).

– A celebração de cultos fúnebres, onde se pode ouvir, por exemplo, a música instrumental màsìhílú na província do Zaire ou Uíge.

Estas manifestações figuram entre as mais importantes da vida coletiva dos angolanos. De fato, elas são não só necessárias, mas também indispensáveis ao processo social já que permitem à comunidade manter as crenças e os valores da tradição. A comunidade deve conhecê-los e respeitá-los com vista a pactuar com as forças naturais e sobrenaturais.

Quanto às músicas não institucionalizadas, coletivas ou individuais, elas são de utilização imediata, mas cotidiana. A sua atividade é indeterminada. Na cultura angolana este tipo de música engloba, entre outros:

– As canções de berço.

– As danças de simples divertimento, tal como a dança henyenga(província da Huíla), ou a dança infantil nsússà praticada em Cabinda, Zaire e Uíge.

– As canções praticadas durante as orações, as longas marchas, os trabalhos domésticos, os trabalhos coletivos para servirem de estímulo.

– As lamentações fúnebres.

– A comunicação de mensagens lingüísticas por meio de tambor (caso do tambor nkómkú em Kabinda).

FUNÇÃO DOS TEXTOS DAS CANÇÕES

Os textos das canções veiculam os valores e os conhecimentos próprios de um determinado grupo. Muitas das vezes, aquilo que não pode ser dito por meio de palavras pode ser dito por meio das canções.

Neste contexto, podemos citar as canções satíricas, as guerreiras, as canções utilizadas na luta de “independência” ou o Blues cantado pelos antigos escravos como expressão dos seus sofrimentos.

No entanto, é preciso assinalar que os provérbios ocupam um lugar privilegiado nos textos das canções. Como “veículo da sabedoria das nações, os provérbios exprimem os modelos de comportamento próprios de um grupo”.

Fonte: http://www.portalafro.com.br/africamusic.htm

(*) Julio Guimarães é graduado em Administração de Empresa e pós-graduado em Gestão de Recursos Humanos. Foi iniciado no candomblé em 04-02-1984 e hoje pertence a Ndanji ua Tombeici. Atualmente dirige sua própria Inzo – ABASSA KUA BUALA NGANA ROXE MUKUMBE XIBULU UA NZAMBI – RJ

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