Mesmo baptizados e frequentando as religiões ocidentais, presentes em Angola, os angolanos de raça negra, da cultura quimbundo, de todas as classes, herdaram da religião Bantu, toda a sua bonita cultura mística. O Santu de Cazola é um dos elementos vivos da cultura mística angolana, que resistiu a falta de liberdade religiosa e a discriminação do catolicismo em Angola, no período colonial.
Com os despropósitos dos primeiros missionários, chegados a Angola, o Santu de Cazola dos angolanos, teve que dar lugar aos anjos da guarda, transculturados da cultura judaico-cristã.
Presidente da Republica, Ministros, Imbanda (Quimbandas), quitandeiras, velhos, jovens, homens e mulheres, doutores, engenheiros, religiosos, conservam as escondidas das igrejas ocidentais, este belo e tradicional instrumento místico de protecção. Muitos angolanos juram de pés juntos, que não tem Santu de Cazola e não sabem do que se trata. Mentira! Essa reacção deve-se ao medo introduzido pelos missionários europeus, na cultura negra, afirmando durante cerca de 500 anos e mesmo no pós-independência, que toda a mística dos negros angolanos é representação do diabo, figura maléfica da cultura religiosa judaica.
Na religião tradicional angolana de matriz Bantu, que teve a sua origem no antigo Egipto, existe a crença de que todos os seres humanos, durante toda a sua vida, são protegidos pelo Santu de Cazola (conjunto de anjos da guarda, que formam um Santu), por Deus disponibilizado, na ocasião do seu nascimento.
Quando o Santu de Cazola se dispersa, por qualquer motivo, as pessoas deixam de ter protecção. Problemas de toda a ordem caem sobre a vida das pessoas. Uxiri (azar), é o principal mal associado a dispersão do Santu de Cazola. Uxiri é um mal que não permite que as pessoas tenham sorte no amor, no emprego, no casamento e uma sorte de desgraças ocorrem na vida, incluindo doenças graves. A pessoa vira um “bumbu de festa” dos outros, podendo até ser escravizada, maltratada, rejeitada, desrespeitada, vulgarizada, etc.
Copo, fitas azul e vermelha, pemba, ukusso, moedas, uma peça de roupa, alimentos, um grupo de amigos, banho de purificação, tudo o que é necessário para reunir o “Santu de Cazola” e deles continuarem a receber protecção, em todas as áreas da vida.
O Santu da Cazola de todos os cidadãos de um país, unidos, formam a corrente de protecção espiritual desse mesmo país. A protecção do Santu de Cazola deve ser renovada, uma vez por ano.
Obs.: normalmente os angolanos escondem o Santu de Cazola, debaixo da cama, para ninguém saber e fazer chacota!
Que todos os Santos, presentes na consciência de Deus, nos abençoem!
