Jogos entre os Quiocos
Tata Lembadilê
O conceito de jogo como atividade física em exercícios ordenados e salutares andava ainda nos anos 40/50, arredado dos hábitos dos povos da Lunda, que se entregavam principalmente aos jogos de destreza e aos passatempos, expressões que quebram a rotina do trabalho no campo e outras atividades regulares, contribuindo estes para reforçar a solidariedade dos diversos grupos. Entre os exercícios físicos mais freqüentes temos a escalada de árvores, passagem de iniciação e competições na disputa de caça e pesca. Além das danças e cantares que constituem as suas diversões mais comuns referimos alguns jogos que se desenrolam normalmente no solo, que também servia de assento e mesa.
Enquanto o antigo tecelão podia orgulhar-se do que criava, preparando o simples fio para uma peça final que trazia a sua marca de fabricação, o trabalhador hoje, ao executar apenas uma operação de rotina raro encontra na atividade profissional oportunidade de criar, de exprimir a sua individualidade e daí, p não sentir as alegrias que acompanham a realização de uma obra. Sendo, portanto fora das horas de trabalho que, procura Ter satisfações indispensáveis à sua estabilidade emocional na recreação sadia e entretenimentos. Por detrás dum passatempo há sempre um problema de cultura que exerce ação criadora nas crianças e distrai os adultos.
Possuem os povos do nordeste angolano uma razoável quantidade de brinquedos, adaptando cabaças, caniços, juncos, bordão, frutos, conchas, etc. Entre estes distinguimos: bonecas, miniaturas de automóveis, aviões, armas diversas, miniaturas de instrumentos de música e armadilhas. Servem também de entretenimento o jogo de cordel com um fio entrelaçado nos dedos das mãos, do qual conhecem várias sortes e as figurinhas articuladas tipo títere ou marionete, que exibem presas aos dedos dos pés, batendo com as mãos levemente nas pernas fazendo movimentar as figuras ao som de cânticos...
TSHELA – Jogo muito estimado e de grande tradição entre os povos de cultura Lunda-Quioca. O tabuleiro era segundo a praxe, feito na altura em que falecia um importante chefe. O mestre pegando no dedo médio da mão direita do defunto coloca-a sobre o tabuleiro para marcar a carvão, as 28, 32 ou 36 casas que formam o jogo. Assim o que foi seu grande chefe, lhes deixa um passatempo para dele se lembrarem.
Geralmente jogado por adultos é, na maior parte das vezes, improvisado no chão e já temos visto gravadas em rocha as covinhas do jogo tshela. Às extremidades do tabuleiro chamam “maholo” onde guardam as pedras que designam por “sache”. Às casas dão o nome de “maswe” quando se trata de tabuleiro de jogo ou “mena” quando são abertas no solo. Cada jogador dispõe ainda de duas casas (uma do seu lado direito e outra ao centro das filas) a que chamam “mitwe” cabeças, pontos estratégicos para mudanças. Tal como no xadrez, as pedras representam pessoas que conforme as sua posições vão ganhando a batalha fazendo prisioneiros. É colocada uma pedra em cada casa ou cova, com mudanças no sentido inverso dos ponteiros do relógio, tendo por finalidade “papar” as pedras do adversário.
É conhecido em grande parte do mundo e supõe-se que a sua origem seja árabe ? Junod, assunala-o na Palestina, Índia, Indochina, Ceilão e Java.