Angola, precursora das nações
Tata Kisaba Kavinajé
Conforme afirma Nei Lopes, em
Bantu, Malês e Identidade Negra, a palavra Candomblé é de origem banta, tanto
podendo derivar da aglutinação das vozes quimbundas KIANDOMBE (negro) e MBELE
(casa) significando, talvez "casa de negros", como pode ser resultado da fusão
desse mesmo MBELE com o prefixo diminutivo KA mais o termo NDUMBE (principiante)
para dar KA+NDUMBE+MBELE ou seja, "casa de principiantes, neófitos" ou, melhor
"casa de iniciação".
Esta é uma concepção brasileira e objetiva demonstrar, ainda que
hipoteticamente, a anterioridade dos cultos bantu-brasileiros sobre o culto
jêje-nagô dos orixás no Brasil, mesmo porque, historicamente, o primeiro templo
conhecido dessa modalidade - a legendária Casa Branca do Engenho Velho ou Ilê
Iya Nassô, em Salvador-BA - teria sido fundado apenas por volta de 1830.
E podemos sustentar o argumento -por que não? - de que, ao invés de terem
emprestado sua teogonia e seus rituais aos Bantu, a tradição dos orixás
jêje-nagôs, sim, é que, influenciada por estes, teria visto surgir de seu seio
os chamados "candomblés de Angola" e "de Congo" com seus minkisi (do kikongo
nkisi), tata (pai), kambondo, munzenzas, sambas, etc.
Não desejo aprofundar-me, mas, parece-nos claro que as INFLUÊNCIAS são marcas
registradas e indiscutíveis quando o assunto em pauta é o Candomblé. E veja,
estas remontam a períodos bem antigos da nossa história.