CULTOS E NAÇÕES DA CULTURA BANTU
Fonte: Bantos, Malês e Identidade Negra, Nei Lopes
A identidade do negro no
Brasil, principalmente o negro Bantu foi selada no Rio de Janeiro em grande
número e um pouco em Recife, Espirito Santo e São Paulo. Ao contrário do que
muitos pensam o negro Bantu não desembarcou na Bahia, os negros que vieram da
África para a Bahia são de origem Nigeriana. Na época da escravidão houve muitas
fugas, e os negros fugidos de diversas nações juntavam-se em quilombos e
senzalas na Bahia, daí, a confusão de diversas culturas africanas misturando
costumes e dialetos.
Muitos navios vindos de Angola, Moçambique, principalmente os navios Boa Viagem
e o navio Arsênia, traziam escravos Bantu dos portos de Molembo e Cambinda
diretamente para o Rio de Janeiro, que na época era o maior porto do mundo em
escambo (captura e venda de escravos). De meados de 1680 a 1830, 576 navios
negreiros entraram no porto do Rio de Janeiro, pelas últimas pesquisas de
antropólogos chegou-se a conclusão que durante esse período vieram para o Rio de
Janeiro aproximadamente 700.000 escravos Bantu.
O negro escravizado, sofrido não tendo como cultuar suas tradições e nem livros
para perpetuar seus mistérios e filosofia, que aos poucos foram se perdendo,
pois tudo era passado de boca para ouvido, de pai para filho, e perdeu-se muita
coisa, toda essa dificuldade que o negro Bantu como nenhum outro passou,
permitiu que muitas raízes fossem destruídas e ocasionou interpretações
tortuosas do culto, e para dificultar mais ainda os senhores de escravos
forçavam a conversão ao catolicismo e muito da tradição foi sincretizada e
deturpada. NAÇÕES DA CULTURA BANTU formavam tribos distintas na Cultura Bantu :
tribos como, Congo, Angola, Zambia, Zimbabwe, etc.. que estiveram durante muito
tempo sob domínio de povos da Europa, essas tribos Bantu de diversas regiões
diferentes, tem como exemplo as tribos de Angola, Angolão, Angola Paketá, Angola
Moketão, Congo Angola, Congo, Muxicongo, Benguela, Cambinda, Aruanda, Luanda,
Makúa, Kassange, Eassange, Munjolo,. Rebolo, Angico e povos menores de diversas
tribos da contra costa, formando assim, cultos diferentes que permitem uma
prática variada e diversificada entre as nações Bantu.
Além disto, não podemos esquecer que fora a língua mãe que é o Kimbundu, existem
ainda cerca de 274 dialetos diferentes. O negro Bantu era o preferido entre os
de todas as nações, pois eram excelentes agricultores e já cultivavam na África
o café e a cana -de- açúcar, pôr isso, foram trazidos em maior número para o
Brasil, embora sendo bom agricultor o negro Bantu teve que ser distribuído pôr
vários estados, fazendas, pois este negro estando em grupo se tornava muito
difícil sua escravidão, pois era muito arredio, essa divisão pôr diversas
regiões dificultou a unidade de seu ritual, que acabou se misturando, tornando
sua doutrina mais difícil de ser agrupada e estudada, o que não aconteceu com o
negro Ketú, que teve seu axé no estado da Bahia, podendo ter maior acesso e
assimilação do seu culto e divulgação de suas tradições. Mesmo com todas essas
dificuldades o negro Bantu influenciou a Cultura Brasileira, deixando herança na
mitologia, religião, culinária, dança e ritmos. Colaboraram em grande parte com
o ritual folclórico brasileiro, com o Congo de ouro, contada(que lembra a rainha
Ginga de Angola), o maculelê, a capoeira, o maracatu, o samba e ainda artes
manuais dos hábeis Bantu.
Grande parte da cultura Bantu e de seu acervo foi destruído quando o ministro
Rui Barbosa queimou as obras dos arquivos que falavam dos Bantu, obras escritas
pêlos Apelegis (Sacerdotes) da cultura Bantu, discriminando a raça que ainda nos
dias atuais é criticada pêlos herdeiros de outras nações de candomblé,
esquecendo que a cultura Bantu é a portadora dos grandes segredos da força da
natureza: é a cultura Bantu a dona dos segredos das Kisabas Zambibi (ervas
sagradas).