KOLOMBOLO OU COMO MWANA KALUNGA SE TORNOU NGOLA-MBOLE
Autor: Alberto Oliveira Pinto
Colocado no fórum - Kimbundu
(...) Nisso, alguém atira milho
para o chão. João Filho, metamorfoseando-se em galo, em voo fugiu. Após haver
comido o milho, readquiriu o aspecto humano.
Que satisfação para o senhor Rei! Apaziguando-se com a filha, deu-a em casamento
a João Filho. E como já se encontrasse na velhice, também lhe cedeu o seu posto
de governante.(...)
Óscar Ribas, Sunguilando, do Conto O Peixarrão
- O Ngola Kiluanji kya Samba desconseguiu de conquistar estas ilhas de Màzàngà
nà Lundà, aqui no Ku Luanda, mesmo depois de vencer os homens do Ne Kongo na
margem do Ndanje. O Mwana Kalunga, seu Ngola-Mbole, muito tentou, mas
desconseguiu também. Já morreu de muito idoso, mas continua a ter fama por
muitas léguas, quase até na nascente do Kuanza, minha neta.
O Ngola-Mbole Mwana Kalunga uniu contra o Kongo dya Ntotela mais de duzentos
jisoba que no antigamente se odiavam. Para nós, mulheres da Màzàngà, o dia a dia
não mudou muito, continuamos de viver da pesca deste búzio precioso que os
homens usam para as trocas e de mastigar no fim da manhã, como agora, os restos
do peixe com ginguba do dia de ontem. Já não tenho o fôlego que tinha no antes
de me levarem daqui, mas ensinei-vos a vocês, mais novas, tudo o que sabia de
como apanhar nos kofos maior número de búzios.
Vocês fimbam nas ondas tão bem que nem nós o fazíamos, com a diferença de que já
não são só os mwatas do Ntotela que vigiam a nossa pesca mas também estes
mundele vindos de Mbanza Kongo, como esse para quem estás agora a olhar, Katumwa.
Pensava eu não tinha reparado, minha neta, mas eu conheço melhor esse branco do
que te conheço e sei que ele, mesmo ali no banho do mar, não tira os olhos de ti
e por isso te comprou do mfumu-a-vata da ilha, não por tu seres orfã. Não
precisas olhar tanto para o corpo despido dele porque sei vais poder vê-lo
muitas vezes até te fartares e agora é melhor te alimentares bem do peixe com
ginguba.
Foi também por tua causa ele nos deu hoje mais peixe com ginguba do que nos
outros dias, conheço-o bem. Vi-o kandengue porque fui comprada pelo pai dele em
Mbanza Kongo depois de me levarem daqui, já te contei, e tive sorte porque o pai
dele não quis sair do Kongo e por isso não me embarcou em nenhum veleiro dos que
levam escravos para outras terras. Agora o filho trouxe-me de volta para a
Mazàngà, eu que nunca imaginei tornar a ver a minha ilha do nzimbu, e só então
compreendi porque me chamaram sempre Uatunda dya Menha, a que é trazida pela
água, e tu, Katumwa, que foste comprada pelo mundele e que eras orfã, passaste a
ser minha neta. Já te contei isso tudo, mas tu só não sabes ainda é porque fui
levada daqui. Os bakongo estavam furiosos com o Mwana Kalunga e, para lhe
meterem medo, capturaram algumas famílias de pescadores mbundu, como a minha, e
mandaram-nos como escravos para o norte.
"Mas ainda vi o Mwana Kalunga chegar na ilha, já Ngola-Mbole. Era um homem
bonito, alto e elegante, minha neta, e tinha acabado de casar com Nadi-ia-Ngola,
que foi sua segunda esposa e era filha do Ngola Kiluanji kya Samba anterior, pai
do que reina agora. O Mwana Kalunga ameaçou o mfumu-a-vata dos invasores bakongo
de atacar a Màzànga se ele não voltasse para a terra dele e não entregasse o
poder ao Ngola e todos os pescadores o apoiaram porque ele era nascido na ilha.
Desapareceu quando muito kandengue e todos o julgavam morto, mas era filho do
velho Nzuá, aquele pescador que vivia na dibata do Mbimbi no lugar onde hoje só
restam as ossadas dos muandu que ele pescou, já tas mostrei uma vez, minha neta.
Nzuá capturou dois muandu na vida dele. O primeiro foi quando desapareceu o
filho mais velho, levado do ndongo pelo kimbidji durante uma pescaria.
O outro foi o que devorou a filha Diwulu, que pescava o nzimbu como nós. Nzuá
acreditou resgatava as almas dos filhos capturando os kimbidji e abrindo-lhes as
entranhas. Mas Nzuá teve mais um filho e este não saiu do ventre da mãe do mesmo
modo que os outros, porque Ndala morreu quando ele estava quase para nascer e
foi Njitu, irmã de Nzuá, quem lhe fez um corte na barriga para retirar o caçule.
Esse filho era o Mwana Kalunga e, quando já brincava, a tia fê-lo fugir para o
Kuanza, para a ilha de Tumbu, porque quis evitar ele fosse homem do mar como o
pai e o kimbidji o levasse também como levou os irmãos. O Mwuana Kalunga foi
viver com o soba Senga ya Timona e quem o educou foi a primeira esposa dele, a
que se chamava Tumbu também e cujos kakulu deram nome àquela ilha do rio. Ngana
Tumbu não deu à luz nenhum filho homem e por isso quis sempre casar o Mwana
Kalunga com a sua filha Kidima.
"O Senga ya Timona era um grande senhor do ferro e não se rendeu ao Ngola
Kiluanji, que já tinha alguns jisoba, não muitos, do lado dele. O Senga ya
Timona lutou com o Ngola Kiluanji kya Samba e morreu na batalha. Ngana Tumbu
ficou a governar no Kuanza no lugar do marido e permitiu o Ngola Kiluanji
entrasse com os seus homens na ilha e assistisse ao casamento de Kidima com o
Mwana Kalunga, que ia então realizar-se perto da mulemba grande.
O Ngola Kiluanji foi, mas quis falar com o Mwana Kalunga porque sabia ele tinha
uanga lá da tia dele que o enviou do Ku Luanda e, para o grande rei, o Mwana
Kalunga tinha uanga não só por usar aquele nome, que quer dizer sobrinho do mar,
mas também e sobretudo porque veio ao mundo de um rasgão na barriga da mãe já
morta. Um kimbanda disse ao Ngola Kiluanji só o Mwana Kalunga podia salvar a sua
filha mais velha, Nadi-ia-Ngola, que o chefe mbangala Kula Njinga encarcerara
nas pedras de Maupungo-a-Ndongo. O Ngola Kiluanji kya Samba explicou ao Mwana
Kalunga quem era o Kula Njinga.
"O Kula Njinga era Kasanga kya Kinguri e nasceu da união da filha do soba Ngongo
do Libolo com um aventureiro lunda chamado Tchinguri kya Kondi a Lau. Este
Tchinguri atravessou o Kassai e o Kwangu e fundou o reino do Kasanji. Trazia com
ele duas esposas, uma lunda filha de tubungo, outra mbangala, que era a mãe de
Exi-Mbangu. Era Kasanga kya Kinguri, filho da terceira esposa e neto do soba do
Libolo, quem lhe devia suceder.
Mas os filhos do soba Ngongo tiveram maka com o marido da irmã e fizeram-no
morrer à fome dentro de uma cacimba. Contam o Tchinguri kya Kondi, ao morrer,
amaldiçoou os irmãos da mulher e o filho que teve dela e nomeou sucessor o
outro, o da mbangala, mas isto talvez seja mentira inventada pelos homens que
apoiaram o Exi-Mbangu e fizeram dele, de verdade, o Yaka Kasanji.
O Kasanga kya Kinguri bazou e só levou alguns fiéis e também o hamba-wa-kusema,
o feitiço da fertilidade das mulheres e da virilidade dos homens, e por sua obra
o Kasanga kya Kinguri se transforma em serpente sempre ele quer. Por isso lhe
passaram chamar de Kula Njinga, que nas línguas do Kwangu quer dizer Senhor
Serpente.
O Kula Njinga era um kijibanganga cruel e punha fogo no capim de toda sanzala
por onde passasse. Apanhava nas lavras rapazinhos ainda não circuncidados para
fazer deles guerreiros ferozes. Esses homens, quando já eram muitos, começaram
de atacar os do Ngola Kiluanji e tomaram-lhes mesmo algumas mbanzas, como as
pedras sagradas de Maupungo-a-Ndongo. Foi lá que encarceraram a Nadi-a-Ngola.
"O Mwana Kalunga aceitou a tarefa de partir em socorro de Nadi-a-Ngola. Ngana
Tumbu deu-lhe permissão mas não gostou porque ele ainda não tinha consumado o
casamento com a Kidima. Nem podia, minha neta, porque tinha de partir logo-logo
para Maupungo-a-Ndongo.
O kimbanda conselheiro do Ngola Kiluanji ensinou segredos ao Mwana Kalunga para
o ajudar a vencer o Kula Njinga, nisso ainda demorou toda uma jornada, e lhe
entregou também um saquinho para o rapaz pôr na cintura e o saquinho tinha
dentro uma massambala tratada por ele, até parecia mesmo a massambala a gente dá
para galinhas comer mas não era, era uma kipa, o Mwana Kalunga comia a
massambala e tinha os poderes do Kolombolo, ficava transformado em galo tal qual
o Kula Njinga em serpente e ninguém o vencia.
O kimbanda deu também ao Mwana Kalunga outro saquinho que transportava penas de
galo pedrês para ele colar no corpo com dikesu, a kipa também era isso. Até o
Mwana Kalunga lhe perguntar não ia o kimbanda na vez dele porquê. O kimbanda
respondeu era velho e perdeu com a idade uma uanga só o rapaz mesmo tinha e lhe
foi dada pela tia Njitu, e essa uanga, minha neta, eu já perdi também, é o
fôlego do nguvu para andar debaixo de água.
"O Mwana Kalunga foi então debaixo de água, com a mão segura no ndongo, para não
ser visto. O ndongo levava dez ximbicadores e o Mwana Kalunga foi todo o Kuanza
acima debaixo dele. Quando o ndongo atracou nos mangais o Mwana Kalunga disse
aos homens esperassem ele ali e foi pela floresta dentro. Chegado às pedras de
Maupungo-a-Ndongo, era noite.
Tirou a kipa de dentro do saquinho o kimbanda lhe deu, mastigou a massambala e
se cobriu de penas de galo pedrês. Depois começou de dançar muito, de pular
muito, de bater depressa as asas, de esticar o pescoço para a frente um bué de
vezes e até mesmo de cantar ekókókó tal qual kolombolo, e os guardas do Kula
Njinga deixaram-no entrar nas pedras e ver o grande senhor, uns com muito
respeito porque sabiam aquilo era uanga, outros de muita gargalhada porque é
sempre de fazer rir kolombolo defrontar serpente.
"O Kula Njinga gostou do Kolombolo e até quis conhecer a uanga dele, mas o Mwana
Kalunga disse só mostrava para ele se pudesse ver a princesa Nadi-a-Ngola. O
Kula-Njinga permitiu logo-logo, foi depressa demais, o Mwana Kalunga percebeu o
Kula-Njinga arquitectava traição. Mesmo assim entregou-lhe a massambala,
imprudente talvez. Mas pôde ver a princesa e falar sozinho com ela.
A Nadi-a-Ngola era muito bonita e o Mwana Kalunga gostou dela mas achou ela era
muito de fantasia porque ela disse a ele queria ser sua mulher logo ali. O Mwana
Kalunga disse ainda não, mas tinha um projecto para a levar dali de volta ao
pai. Ela disse boa ideia e lhe explicou como era o melhor.
O Kula Njinga ia dar uma festa e sempre isso acontecia levava-a para fora das
muralhas porque pela lei dele os homens do kilombo só podiam ter mulheres para
lá do recinto onde acampavam e apenas durante as festas. Os homens do kilombo
saíam das muralhas de Maupungu-a-Ndongo para encontrar-se com mulheres, sempre
muito bêbados de malavu, e isso acontecia quase todas as noites porque quase
todas as noites o Kula Njinga dava festas.
O Kula Njinga levou-a a ela algumas noites mas Nadi-a-Ngola nunca chegou a ser
mulher do Kula Njinga porque ele desconseguia de todas as vezes, de nada lhe
valia o hamba-wa-kusema. O feitiço nele só servia para o pôr a massembar que nem
serpente mesmo e meter medo aos homens do kilombo, mais nada. Nadi-a-Ngola
combinou, na próxima noite o Kula Njinga ia levar ela para fora das muralhas e,
quando estivesse muito bêbado, o Mwana Kalunga a levaria para longe.
"O Mwana Kalunga foi despedir-se do Kula Njinga e encontrou o chefe mbangala
muito sorridente só de cacarejar como kolombolo porque já tinha mastigado a
massambala. Não ri, Katumwa, não é musoso de velha, é verdade mesmo, por isso
não gargalha assim, minha neta.
O Mwana Kalunga despediu-se e partiu mas ficou escondido no lugar da floresta
onde sabia no dia seguinte à noite o Kula Njinga ia levar a Nadi-a-Ngola. E isso
aconteceu. Quando veio a noite, o Mwana Kalunga viu muitos fogos acesos no
kilombo instalado nas pedras de Maupungo-a-Ndongo e ouviu um bué de batuques
vindos de lá.
Os homens começaram de sair com mulheres, já muito bêbados, até que veio o chefe
deles abraçado na filha do Ngola Kiluanji. Vinha muito pesado, a dormir de tanto
malavu bebido, e ficou estendido na clareira. Nadi-a-Ngola foi logo-logo ter com
o Mwana Kalunga. Só tirou da cintura do Kula Njinga um saquinho igual ao da kipa
do kimbanda do Kuanza e disse era o hamba-wa-kusema e ela roubou dele.
O Mwana Kalunga disse aiuê sempre pensei o hamba-wa-kusema era objecto sagrado
feito de pau ou marfim, afinal é massambala também, pois é. Mas quem vai levar
ele sou eu. O Mwana Kalunga pensou pode ser veneno, pôs o saquinho na cintura e
arrastou a Nadi-a-Ngola atrás dele na fuga. Ainda viu alguns guerreiros do
kilombo ao derredor deles, armados, foi aquela a armadilha que o Kula Njinga
urdiu. Mas os homens não lhe fizeram nada, só cacarejaram, porque tinham todos
mastigado da massambala que ele trouxe.
Cacarejaram não como kolombolo, sim como galinhas poedeiras, e então o Mwana
Kalunga compreendeu o valor da uanga do kimbanda do Ngola Kiluanji.
"Levou a kilumba até no ndongo onde o esperavam os ximbicadores e desceram
depressa o rio. O Mwana Kalunga achou melhor viajar debaixo de água e respirar
como o nguvu tal qual na vinda, não só para não ser visto pelos inimigos, mas
também porque era aquela a sua uanga. Mas a viagem foi longa e, quase na chegada
ao Tumbu, Nadi-a-Ngola insistiu para que parassem e o Mwana Kalunga viesse à
superfície e os dois serem nas margens homem e mulher.
Os homens do ndongo obedeceram-lhe porque ela era a filha do chefe deles. O
Mwana Kalunga e Nadi-a-Ngola estiveram juntos muito tempo, muitas horas, não
souberam quantas, mas apareceram guerreiros e prenderam-no a ele. Deixaram ela
continuasse até à mbanza do pai com os ximbicadores do ndongo.
Não eram homens do kilombo do Kula Njinga os que o aprisionaram, esses estavam
longe, o Mwana Kalunga compreendeu eram servidores de Ngana Tumbu. A soba do
Kuanza disse ao Mwana Kalunga tinha de ir casar com a sua filha e ficou-lhe com
o saquinho do hamba-wa-kusema roubado ao Kula Njinga.
"O Ngola Kiluanji kya Samba também não ficou contente com o capricho da filha e
não a deixou tornar a ver o Mwana Kalunga. Mas o kimbanda dizia ela havia de ver
ele, mas só no dia em que a primeira esposa do Mwana Kalunga partisse para o
Kalungangombe.
"Passou um bué de tempo e Kidima não dava filhos. Também o Mwana Kalunga
a via sempre como a uma irmã. "Lá na mbanza do Ngola Kiluanji, Nadi-a-Ngola
deu à luz um kandengue e todos os kotas e os mais avisados diziam o pai era
o Mwana Kalunga. O Ngola Kiluanji pensou falar com Ngana Tumbu e propor-lhe
sua filha fosse segunda esposa do seu genro. Mas o kimbanda disse-lhe não o
fizesse, insistiu só quando Kidima partir para Kalungangombe.
"Kidima não deu filhos e a Ngana Tumbu perdeu a paciência. Lembrou do
hamba-wa-kusema, era ou não era feitiço da fertilidade? Uma noite que Kidima
deitou com o marido mostrou-lhe o saquinho, a mãe tinha-lhe oferecido e ela
agora ia dar um filho a ele.
O Mwana Kalunga desconfiou, disse, pode ser veneno que mata do Kula Njinga para
mim, lembrou. Mas Kidima não quis saber e mastigou mesmo a massambala. Ficou
alegre, dançou, massembou, saiu da dibata parecia até serpente. O Mwana Kalunga
ainda aliviou, é só a uanga do animal. Mas enganou-se, não era. Kidima caiu
morta ao pé da mulemba grande.
"O Ngola Kiluanji kya Samba veio então ao Tumbu e casou a filha com o Mwana
Kalunga, que era pai do filho dela, porque Kidima já tinha partido para o
Kalungangombe, tal qual o kimbanda previu. O Ngola Kiluanji deu ao Mwana Kalunga
o título de chefe dos exércitos e o nomeou seu principal homem de confiança.
"Foi assim, Katumwa, como o Mwana Kalunga se tornou Ngola Mbole do Ngola
Kiluanji kya Samba e depois uniu duzentos jisoba contra o Ne Kongo. Não ri,
minha neta, não é musoso de velha, é verdade. Mas tu só quer saber é do mundele
que está sair da água, só olha mesmo é para ele sempre. São os filhos deles,
Katumwa, os filhos dos brancos como esse, são eles um dia vão contar lá nos
filhos e nos netos deles misoso da gente como este eu contei. Vão mudar muito os
misoso, mas vão contar. Então, minha neta, então a gente vai rir mesmo.
GLOSSÁRIO
Caçule - O filho mais novo.
Dikezu - (plur. Makezu) Cola.
Fimbar - Mergulhar.
Jisoba - V. Soba.
Kalungangombe - Ente espiritual que acolhe as almas dos mortos no outro mundo.
Kakulu - Reino dos mortos ou dos antepassados; também designa, só por si,
antepassado.
Kandengue - Criança, miúdo.
Kijibanganga - Assassino, destruidor(de kujiba, matar).
Kilombo - Acampamento fortificado.
Kilumba - Rapariga.
Kimbanda - (plur. Umbanda) - Adivinho, aquele que cura, ministro do culto dos
antepassados.
Kimbidji - Peixe grande.
Kipa - Magia que concede o poder da metamorfose, geralmente em animais ou
árvores, ou da transmissão de remédios ou preventivos.
Kofo - Cesto estreito e comprido usado outrora pelas mulheres da Ilha de Luanda
na pesca do nzimbu.
Malavo - Vinho de sumo de caju ou de seiva de matebeira, palmeira, palmito ou
bordão; o mesmo que malufo e maluvo.
Massambala - Milho de sorgo ou milho miúdo, que serve para fazer fuba mas também
para alimentar as galinhas.
Massembar - Corruptela portuguesa do verbo kimbundu ku semba, que significa
requebrar-se, dar umbigadas.
Mbanza - Cidade africana tradicional; capital de um Reino.
Mfumu-a-Vata - Chefe da Vata ou aldeia, entre os bakongo, que possui o poder
sobre a terra.
Muandu - Tubarão.
Mundele - Homem branco.
Musoso - (plur. Misoso) - Conto tradicional, fábula.
Mwata - Alto dignitário.
Ndongo - Canoa. Pequena embarcação estreita e comprida, feita geralmente em
tronco de mafumeira escavado, e usada na pesca ou como meio de transporte.
Nguvu - Hipopótamo.
Nzimbu - Pequeno búzio outrora pescado pelas mulheres na Ilha de Luanda, que
servia de moeda de troca ao Rei do Kongo.
Soba - (Plur. Jisoba) Chefe local.
Tubungo - Nobre da Lunda; designativo dos primeiros que chegaram à Lunda vindos
do leste.
Uanga - Feitiço, bruxaria.
Ximbicar - Remar à vara, geralmente de bordão, espetando-a no fundo da água do
mar, rio ou lagoa.
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