História: escola de iniciação das meninas de venda
PEQUENA PARTE DA TRADUÇÃO do trabalho do Etnólogo John Blacking ESCOLA DE INICIAÇÃO DAS MENINAS DE VENDA,Produced by the Department of Social Anthropology; The Queen's University of Belfast.
Disponivel em http://www.era.anthropology.ac.uk/Era_Resources/
Disponivel em http://www.era.anthropology.ac.uk/Era_Resources/
TRADUÇÃO DE Mama Mutarerê(*)
Estágio I : Muhulu ou muhulo; para -hula= para crescer)
Uma noviça ganha uma companheira de ritual, ela passa o tempo todo isolada no quarto do chefe ou do líder. Uma nobre permanece no privativo do líder (Cabana Privada), enquanto que uma menina do povo fica no tshivhambo,(Cabana do Conselho) em condições mais ou menos privativo. Não pode falar com nenhum homem exceto seu pai e seus irmãos, até que termine o segundo estágio (veja abaixo). Todos seus cabelos do corpo são raspados, e não é permitido o uso de ornamentos.
Noviças na Cabana do Conselho onde aprendem o milayo.
Confinadas na cabana para o Vhusha da Comunidade. Observe uma noviça recente, ainda sem o colar (KELÊ=MIGUI (???).. (Esta é a desccrição de um quadro ilustrativo que tem no original).
Milayo, significa literalmente, “leis” ou “ instruções”, mas no contexto da iniciação pode ser traduzido como “a sabedoria”, porque aprendem primeiramente uma série de fórmulas, em que, a determinados objetos familiares são dados nomes especiais, e as regras de conduta, a etiqueta social, na coreografia dos rituais têm um significado simbólico como se fossem objetos. Durante o aprendizado do milayo, as sentenças, as frases, ou mesmo as únicas palavras do instrutor são pontuadas geralmente por um refrão falado por um outro oficial ou por uma noviça sênior, tal como “Fhira' ri ye, Khomba!” (literalmente:( passe sobre que nós podemos ir, Khomba!). Estas interjeições são indicados por dois pontos ou por pontos cheios.
Muitos milayo são estruturadas em uma chamada em forma de resposta, em que a resposta foi recitada pelos novatos. No primeiro dia do Vhusha das nobres, a cada noviça é atribuído uma companheira de ritual; é despida e surrada 28 vezes pela mulher responsável(Mam'etu Ndengue???), quatorze cipoadas em cada coxa.(VIU PORQUÊ ANTIGAMENTE SE BATIA EM MUZENZA?) Se a noviça for fraca ou doente, ou não desejar ser surrada duramente, pode pagar uma multa (1.00 um dólar, em 1957) e receber somente oito cipoadas.
Por oito dias permanece despida e coberta somente com um cobertor. Pode ser pinchada, atormentada, e obrigada a trabalhar, pelas meninas “sênior”= mais velhas. É dada instruções especiais pelas velhas senhoras, que as atendem somente na primeira e última noite. Pelo resto do tempo, a noviça e as novatas do segundo estágio são supervisionados pelas meninas “sênior”=mais velhas, que comem também com elas duas vezes ao dia no quarto (bakice????). A papa ou mingau mole (feito de farinha de milho branco) e uma iguaria feita com amendoim e flores da abóbora (dovhi vhuluvha) que são fornecidos pela mãe da noviça; o mingau deve ser cozinhado numa panela de ferro. Gente! É o mingau de milho branco!!!, reforçado com amendoim (já que elas vão casar logo...) e flores para temperar!!!)
No Vhusha dos nobres, como no Vhusha do povo, o alimento é providenciado pelas noviças, cozinhado pelas meninas do segundo estágio, e apreciado principalmente por aqueles em seu terceiro estágio e além. No nono dia, a noviça é acompanhada à sua casa, onde sua família deve oferecer o mingau para todas as meninas. Cozinham o mingau mole, que é chamado vhuteteha :deve ser cozinhado com farinha fina de milho (vhukhopfu) e água, e não deve conter nenhuma refeição pesada (vhuse). (Comida de Muzenza!!!!) Este mingau é servido ao menos em oito pratos de madeira (ndilo), das quais, sete são para as “seniors” (Kota, Makota, Mametu Ndenge, PERCEBERAM????) e um para o noviço, que deve comer sozinha a menos que haja outra do mesmo grau dela. Em quatro dos pratos o mingau é servido em tiras, ao comprido (mikonde), e nos outros quatro é servido em formas redondas (mabumbulu). A noviça come somente o último.
A carne é fornecida pelas noviças, mas cozinhada por meninas em seu segundo estágio. Cada noviça deve dar duas aves colocando, junto com ao menos dois ovos que foram colocados por cada ave (e não por outras aves). Se não puder levar as aves e os ovos, deve pagar uma taxa (25 centavos pela galinha, e 5 centavos pelo ovo em 1957), enquanto isto é atendido as noviças sênior pensam o que vão fazer.
A moela e um pé de cada ave são dados à noviça mais velha da casa. As meninas noviças do segundo estágio comem os pés, a cabeça, o fígado e as entranhas da ave; quando as noviças sênior “comem”, podem comer o sangue e mais tanta carne até estufar a barriga. As tripas não são dadas às noviças, mas são jogados para os porcos. Além da carne, os grãos secos de feijão, amendoim ou milho devem ser fornecidos, ou então um pagamento equivalente (85 centavos em 1957).
Depois, a família da noviça deve fornecer duas garrafas de banha de porco que é passada então no corpo da noviça, junto com o pó vermelho. A noviça passa os oito dias seguintes em repouso aprontando o seu enxoval para casar (tshiluvhelo) , com um faixa de grãos (tshifunga) , os cordões de algodão (mifhunga) que penduram na cintura, e o thahu amarrada atrás, representando um bebê (cf van Warmelo 1932:54-55 e Stayt 1931:109-110).
Têm também o tonsure “da gravidez”.(tschivhundu).Durante o ritual da noviça, o thahu permanece com ela o tempo todo. Quando a noviça remove o avental e o thahu, seus pais pagam ao Sacerdote uma taxa (Cr$3.00 em 1957).
Cada estágio do Vhusha do povo continua por seis, em vez de oito dias e oito noites. As senhoras velhas estão laborando no primeiro e no último dia, que é chamado tshigogovhalo, mas nos outros dias as noviças estão a mercê das meninas sênior. Apesar de que, os nobres podem atender ao Vhusha do povo uma vez que passaram seu próprio muhulu, meninas do povo não podem atender a qualquer parte do Vhusha dos nobres.
Quando se graduam do muhulu, as meninas do povo usam uma saia enfeitada (tshirrivha) que deva ser da pele de cabra, (o bicho de 4 pés sacrificado durante o orô?) mas são às vezes da pele dos carneiros. (Depende do(a) dono(a) do mutuê, como é para nós do Candomblé? será??? . Após a reclusão inicial em suas casas, vão com um presente de feixe de lenha para entregar às suas Mães do ritual, que no começo do muhulu (queda do mucunã??) cortaram o seu cabelo no estilo chamado thotshi (tosa? Catular??) no estilo tshivhundu.
(*)Itana Stela Oliveira de Carvalho é Mestre em Educação - Université du Québec au Montreal – UQAM, aposentada pela Universidade do Estado da Bahia-UNEB, após 39 anos de trabalho. Iniciada no Candomblé em 1992 pelo Tata Juraci Xavier Passinho, Sacerdote do Unzó Kuna Nkisi Tumbenci Malawla situado em Salvador BA. no bairro Águas Claras – Cajazeiras VIII, é neta de Mam'etu Kizunguirá e bisneta de Mam'etu Thuenda diá Nzambi. Atualmente, está em fase de implantação do seu terreiro, localizado em Caype a 60km de Salvador, o que está sendo realizado pelo único pai de santo que teve até então, Tata Passinho.


